“Homem galinha”, “filme queimado”, “ficante”, essas são expressões que um dia fizeram sentido. em uma época em que a juventude só dizia “eu te amo” para os pais (porque irmãos nem pensar) e, mesmo assim, somente quando a professora mandava desenhar um cartão para levar para casa. Naquele tempo era preciso ter coragem para dizer tais palavras, hoje é tão simples e sem sentido que deveria virar uma única palavra, “tiamo”, como “falaê” e “iaí”.
Houve um tempo em que um relacionamento era algo não muito simples de acontecer, era algo a se conquistar e se pensavam muito antes de se amarrar à alguém. Agora é muito mais questão de se "enjeitar" do que conquistar. Independente dos porquê's de cada um, o que realmente acontecia era que ninguém queria assumir um namoro superficial, era preciso conhecer muito bem o parceiro(a) e isso, normalmente leva um tempinho. Era necessário ter certeza de que aquilo poderia render bons momentos não só por praticidade, para aí sim se enfiar uma aliança no dedo e dizer “estamos namorando”.
Te amo?... Ah meus amigos, isso, quando vinha, era bem depois.
Te amo?... Ah meus amigos, isso, quando vinha, era bem depois.
Mas a globalização chegou em um nível tecnológico com tamanha acessibilidade que os jovens, cada vez mais jovens, começaram a perder o interesse em conhecer uns aos outros e atualmente subjugam-se através de perfis virtuais (pois é, globalização não é só uma palavra chata que assombra as aulas de geopolítica, poderíamos ficar horas aqui discutindo sua influência em diversas áreas como música e esportes). No entanto, não se deve criticar todo esse conceito de redes sociais e tal, mas é que muita gente foi pega de surpresa. A ideia de aproximar as pessoas e facilitar o contato é genial, mas muitos saem amando só por terem duas comunidades em comum.
O lado bom é que tudo é um mar de rosas na rede, nunca se odeia alguém, não se ouve falar mal de ninguém, talvez seja o mais próximo daquela utopia tão desejada por inúmeros pensadores da nossa história, em compensação, é um tal de “eu te amo” pra tudo quanto é canto que no dia que um casal quiser expressar realmente seus sentimentos não haverá um meio para isso. Mas como “lá” mesmo se diz; curtir é fácil, quero ver na real. De duas uma, ou as pessoas ficarão cada vez mais inocentes e vulneráveis por confiar em todo esse “amor” espalhado, ou começarão a andar desconfiadas até da própria sombra por não saberem quem são seus inimigos ou os verdadeiros amigos.
Mas não sejamos covardes atirando pedras na juventude atual por toda essa transformação do palco do amor em um picadeiro sem controle, sempre esteve claro que isso iria evoluir assim. Há dezenas de anos se namorava na casa dos pais e, há centenas de anos, os pais determinavam os noivos e as histórias de amor existiam somente nos livros. Então, se no século passado essas aventuras amorosas saltaram das páginas amareladas e habitaram o coração da sociedade, hoje nada mais nos resta do que, fechando este ciclo de evolução, aceitar a verdade na voz do Senhor Catra, “Quer romance? Lê um livro.”
Entrar num BLOG, ler o texto e não comentá-lo é
como ir na casa de uma pessoa e sair sem se despedir.
como ir na casa de uma pessoa e sair sem se despedir.
3 comentários:
Sensacional o texto!!!
Não concordo msm!!!
As pessoas apenas sentiram mais facilidade de se expressarem...isso não pode ser chamado de "banalização"!
Qtos alunos meus nunca tinham dado um bjo no pai e na mãe e hj chegam e dizem q me amam e q os amam...É falsidade????É AMOR!!!!E EXISTEM VÁÁRIOS TIPOS DELES!
Aos que se expressam mais facilmente hoje eu tiro o meu chapéu e fico feliz em saber que temos este número na crescente. No entanto, não se pode negar o desenfreado uso da palavra 'amor' sem qualquer sentimento real mesmo. O texto vem de maneira exagerada para justamente fazer as pessoas pensarem sobre o assunto. Não importa agora se concordam ou não, mas sim que os que concordam trabalhem a favor e os que não concordam possam previnir que tal quadro surja.
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