John abriu os olhos lentamente, como quem naturalmente acorda em uma manhã de domingo. Foi se virando e estranhando tudo à sua volta. Os movimentos rápidos da cabeça, freneticamente varrendo todo o quarto, expeliam o desespero que dominava seu corpo. Não era seu quarto. Tudo era cinza e contínuo. Lizo e frio. Já sentado sobre a cama tentou por os pés no chão e sentiu leves dores em seus joelhos. Fechava fortemente os olhos e bagunçava cada vez mais seus cabelos na esperança de ser recordar de algo. Sim, lembrava de toda a sua vida, mas não entendia onde estava.
Olhou tudo a sua volta. Havia uma porta no centro da parede a sua frente, não estava fechada, uma pequena fresta anunciava uma liberdade sob o que nem fazia idéia e lhe prender. Esqueceu-se das dores no joelho e levantou, observou o que restava para ver do quarto e notou mais uma cama, desarrumada, com uma mesa de cabeceira à direita. Viu que ao lado de sua cama também havia uma mesa igual, porém sobre ela estava uma arma. No teto estava tudo normal. Começou a caminhar em direção à saída mas hesitou se voltando para a mesa e encarando a arma. Voltou e a apanhou passando mais um tempo admirando-a em suas mãos e, todo desajeitado, levou-a consigo.
Lentamente abriu a porta notando que dava para um corredor que cruzava o quarto. Não havia ninguém por perto, mas notou que havia mais quartos ao longo do corredor. Começou a caminhar como um desbravador em um mundo novo, arrastava uma das mãos à parede como se tentasse sentir qualquer coisa que pudesse absorver daquele local. Nem dez passos tinha dado quando ouviu um barulho atrás de si, virou se rapidamente e se congelou achando estar vivendo sem poder respirar. Seu olhos não piscavam e não tinha reação para sequer soltar a arma que segurava. Mais do que não acreditar no que via, o que mais lhe pasmava era o fato de saber que aquilo era real. Não sabia como, mas se em sua mente existia algo em que se concentrava, era que à sua frente havia um outro dele a admirá-lo. Um outro John.
O outro foi quem tomou a iniciativa para quebrar o silêncio que habitava entre eles.
- Você despertou – Disse relutante, entregando que ele não era o único perdido por ali. No instante posterior ele se jogou abruptamente sobre John levando-o ao chão. O desespero era tanto e seu instinto tentou se libertar imediatamente. O outro apertava firmemente sua boca e gritava pedindo calma. Sua posição era de vantagem sobre John e vendo que não o acalmaria com a agressão, optou por uma ignorância maior retirando uma arma da parte de traz da calça e pressionando-a contra a testa de John. Os dois suavam e ofegavam nervosamente e entre fortes respirações o outro disse.
- Não me pergunte nada. Eu não quero saber da sua vida nem queira você saber da minha. Somos os únicos que sobraram. Sim, eu sou você e você é eu. Cada um em seu mundo...idênticos. Nossas vidas provavelmente foram idênticas até algum momento, e provavelmente nós dois sabemos qual. Isso é tudo o que deve ser dito sobre nós, qualquer pergunta ou comentário nos mataria, foi assim com todos eles. – Os dois John se soltaram calmamente e permaneceram sentados frente a frente no corredor.
- Segundas chances ocorrem como forma de redenção, uma forma de reviver o homem para que possamos seguir nossas vidas de forma digna apesar dos erros do passado. Mas isso é diferente, é demais. Não vê? Você sente isso?
- Já cometemos o erro. Não acredito que possamos sair daqui mais.
- E também não adianta mais perguntar, descobriremos por si só.
A única coisa que se ouviu desde então foi um disparo e som de um cartucho quicando pelo chão do corredor.
Entrar num BLOG, ler o texto e não comentá-lo
é como ir na casa de uma pessoa e sair sem se despedir.
Um comentário:
Fala Júnior!! Agradeço tua visita ao meu blog! :) No passado, eu era bem mais ligado em blogs mas hoje ando meio distante, o meu eu quase não atualizo. Mas também quero voltar! ehehe. Quem sabe nós dois troquemos algumas figurinhas sobre o assunto, de vez em quando!;) Pow, muito legal o teu. Gostei bastante dos teus textos. Me parece que este último terá continuação, certo? Vou tentar ficar ligado e aparecer mais vezes.
Um abração!
Postar um comentário