"Às margens do Santa Joana, sempre alegre e hospitaleira, banha-se minha Itarana..." assim canta o hino dessa amada cidade, e assim canta cada um de seus filhos. Não se conhece um indivíduo sequer que não saiba, de cabo a rabo, a famosa Canção de Itarana. Entoada com bravura por incontáveis vezes, nas mais exímias situações, com um sorriso cravado no rosto, as veias a pular sob os pescoços vermelhos e o braço erguido aos céus como quem agradece o solo em que se finca a bandeira com aquele sol dourado. É lindo ver o seu povo estufar o peito ao pronunciar seu nome, Itarana. És motivo de orgulho, és berço de memórias infindas e certeza de um futuro promissor, pois seus filhos nunca irão te abandonar, embora o tempo lhe pregue peças, os seus filhos mudam, mas não vão embora.
A sua simplicidade vai se moldando junto ao progresso e assim vemos um campo Society tomar o lugar das antigas peladas no quintal do Seu Raul; uma pista de motocross assumir boa parte do canavial do Seu Angelim, que foi palco de famosos polícia-e-ladrão; a Mulher de Algodão que há muito não se ouve falar, deve ter ido embora; o Morro da Lua que, de claras noites festivas, passou a receber somente lixo.
Mas ela segue de pé, com sua juventude se renovando de geração em geração, o que nunca morre é o prazer de ser itaranense. E os prazeres antigos viram histórias que são contadas nos cantos novos da cidade. O que substituiria uma cerveja no Bar do Merin no fim da tarde? E o que seriam dessas tardes sem os casos do Juarez Trocati, sem a presença de verdadeiros ícones da sociedade, ainda que boêmia? Grande Juruna, Painel, Adão, entre tantos outros.
E pensar que tudo começou sobre a sombra de uma única árvore mãe, uma figueira silvestre beirando o rio Santa Joana. A velha figueira que hoje só existe nos corações de seus frutos. Que sofreu com a invasão dos garimpeiros sedentos por riqueza, que levaram o que era material e, sem querer, deixaram o maior lucro para o nosso proveito, seu nome. Itarana que, como uma verdadeira suçuarana, demarcou seu terreno e uniu culturas para impor-se como um município desse diversificado estado do Espírito Santo. E hoje, há 48 anos de sua emancipação política, expandiu a sombra da velha figueira, que amena o sol sob a cabeça de um povo que sabe o que é viver bem.
Parabéns Itarana ...também quero oferecer.

Um comentário:
Meu VOVÔ RAMIRO.. Que com maior orgulho meu filho carrega este nome ajudou com as próprias mãos a construir esta linda e singela igreja, que hoje simbolicamente seu corpo (sepultado) repousa atraz deste mesma igreja.. Mas o que fica são as recordações deste que é o norteador e exemplo na minha vida.
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